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Graphic MSP: reinventando Maurício de Sousa

E vem chegando a Graphic MSP do Capitão Feio. Tá por fora desse projeto lindão? Vem com a gente saber mais sobre esse plano infalível do Maurício!

 

Aproveitando o lançamento do teaser da Graphic MSP Identidade, estrelada pelo Capitão Feio, a gente traz um histórico desse grande sucesso de público e crítica do criador da Turma da Mônica. A linha Graphic MSP surgiu de outro projeto MSP 50 – Mauricio de Sousa Por 50 Artistaslançado em 2009 em comemoração ao aniversário de 50 anos do Maurício. A idéia era uma releitura dos personagens consagrados pelo seu criador pela mão de artistas nacionais. Devido ao grande sucesso vieram mais dois livros: MSP + 50 – Mauricio de Sousa por Mais 50 Artistas em 2010 e MSP Novos 50 – Mauricio de Sousa Por 50 Novos Artistas em 2011. Porém, nestas edições eram histórias curtas, mais simples, algumas de uma única página. Após o lançamento dessas edições, em 2012 chega a primeira edição da Graphic MSP propriamente dita. A idéia do projeto agora é dar aos artistas a oportunidade de desenvolver uma história mais longa, fechada. O primeiro personagem do projeto foi Astronauta, na história Magnetar nas mãos de Danilo Beyruth (Necronauta, Seu Jorge, Motoqueiro Fantasma). E a idéia do Danilo foi genial, pegar um personagem que não é tão conhecido da maioria do público e contar uma história de ficção científica sensacional, que aí sim interessa à um público muito maior. Na minha opinião a coleção foi uma sacada genial, trazer histórias inéditas, nos traços de artistas consagrados em uma coleção com acabamento gráfico impecável. Ao contrário da Mônica Jovem que também tem muitos méritos, mas é voltada ao público adolescente, a Graphic MSP permite ao leitor que se acha “muito velho” para continuar lendo os gibis clássicos da turminha, desfrutar mais uma vez dessa gama enorme de personagens e histórias criadas por Maurício. E que histórias meu amigo! E tem para todo gosto: ação, drama, comédia, terror e por vezes até um pouco da inocência infantil. É o caso de Laços, segundo título que chegou em junho de 2013, nas mãos dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi. Em uma trama com estilo clássico dos gibis da Turma da Mônica, o Floquinho, o cachorro do Cebolinha, desaparece. É quando Cascão, Mônica e Magali decidem ajudar o amigo e acabam vivendo uma grande aventura focada na amizade dos personagens. Essa fez tanto sucesso, que rendeu não só uma sequência Lições, em 2015, mas também um filme live action, que foi anunciado na CCXP no mesmo ano e que está em produção e deve chegar as telonas em breve.

Também teremos mais edição nas mãos dos irmãos fechando a trilogia. Astronauta Magnetar também rendeu duas sequências: Singularidade de 2014 e Assimetria de 2016, também pelas mãos de Danilo Beyruth. Outro personagem que já ganhou duas MSP foi Chico Bento, com Pavor Espaciar de 2013, por Gustavo Duarte (Có, Monstros, Bizarro), que tem um tom bem humorado e esse ano foi lançada Arvorada, que traz um tom mais profundo, sobre a vida e tudo mais nas mãos de Orlandeli (Grump, Sic). Essa sem dúvida está entre as favoritas desses que vos escreve. O cãozinho Bidu também tem duas edições bastante profundas com Caminhos de 2014 e Juntos de 2016. A primeira traz o primeiro encontro do Bidu com seu dono Franjinha e a segunda já é uma história sobre os laços que os unem. E muitas mais em um total de 15 obras já lançadas. A citar, Piteco – Ingá por Shiko, que utiliza elementos pré históricos de verdade de nosso país; Penadinho – Vida de Paulo Crumbim e Cristina Eiko, uma história com traço bastante delicado e bacana; Turma da Mata – Muralha que tem traços do Roger Cruz, que já desenhou X-Men, em uma aventura com bastante ação e política no estilo Game of Thrones; Louco – Fuga por Rogério Coelho, que tem tudo a ver com o personagem mais insano da turma; Papa-Capim – Noite Branca, primeira trama de terror do selo, nas mãos de Marcela Godoy e Renato Guedes, que incorpora elementos de nossos ancestrais indígenas e Mônica – Força (Bianca Pinheiro, da hq fofa Bear) que traz uma história tocante sobre a dentucinha, em que ela não pode usar sua mítica força para lidar com um problema pessoal. Como eu disse no começo, todas edições foram sucesso de público e crítica e, em 2013, Astronauta – Magnetar foi publicado, pela Panini, em cinco países da Europa: Itália, França, Espanha, Portugal e Alemanha. Em 2017, Bidu – Caminhos será lançado na França pela Glénat. E agora em Setembro, na Bienal do Rio de Janeiro, chegamos na décima sexta incursão da coleção com Capitão Feio – Identidade por Magno Costa e Marcelo Costa. Dessa vez teremos uma história de ação/aventura trazendo a origem do vilão das histórias do Cascão. Mas como sempre, eu espero bem mais, com aspectos bastante interessantes da visão dos autores para o personagem, além de reflexões pessoais.

Ufa, muita coisa né? Outro ponto de destaque é justamente esse, a diversidade nos traços e genêros das histórias, além da oportunidade de conhecer grandes talentos nacionais e também suas obras autorais. Eu mesmo acabei conhecendo Valente do Vitor Cafaggi por conta do Laços, e antes da Panini lançar suas obras, no tempo em que ele fazia de forma independente. Também tive a oportunidade de conhecer outros trabalhos do Shiko, além de encontra-lo pessoalmente em João Pessoa durante um congresso da minha profissão. Um cara muito humilde e de um talento ímpar, e que já era conhecido no mercado independente que não está aí a disposição em qualquer megastore. E muitos outros como a Bianca Pinheiro, Orlandeli, enfim. Assim, além de ser uma coleção bacana, tem esse lado que todo mundo acaba ganhando, o criador original, os criadores das histórias e principalmente o leitor que se esbalda com histórias bacanas que ainda animam a gente a ir a seguir uma coleção em meio a tanto arroz com feijão por aí. As edições cartonadas você encontra na sua banca favorita e as de capa dura em livrarias físicas ou online. Para fechar fica o agradecimento a Panini que tem nos enviado para apreciação essas obras lindas que não podem fazer falta na estante dos fãs do Maurício ou os que querem ler boas histórias.

 

 

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